Cirurgia da Obesidade, Redução de Estômago

Equipe Multidisciplinar

Dra. Maria da Guia Ramos

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O acompanhamento psicológico é parte importante do tratamento sendo indispensável para todos os pacientes no período pré e pós-operatório visto que, não raro, a obesidade é decorrente de fatores emocionais e/ou causas destes.

Inicialmente, o psicólogo (a) deve oferecer um espaço, acolhedor para receber o paciente que chega com suas angústias, anseios e receios advindos das fantasias e expectativas geradas em torno do desconhecido desejado e, por ver a cirurgia como última possibilidade de libertação dos “pesos” acumulados durante sua trajetória com a obesidade.

Ao acolher o indivíduo que chega apresentando também, sinais, muitas vezes, visíveis da dificuldade de lidar com as limitações bio, psíquicas e sociais advindas da obesidade, o psicólogo (a) visa estabelecer um vínculo que favoreça a relação de ajuda necessária para que o paciente possa vivenciar o processo de mudança com maior conforto e segurança, pois só numa relação de confiança e disponibilidade mútua pode existir troca.

A compreensão do paciente sobre o papel do profissional psicólogo (a) envolvido nesse processo pode permitir o acesso deste aos conteúdos internos do paciente e favorecer uma dinâmica de crescimento promissora, uma vez que a visão integral do paciente aponta para um resultado positivo no processo de tomada de consciência das necessidades, desejos e limitações reais do mesmo, contribuindo para a recuperação da saúde, bem como, concedendo maior propriedade ao profissional para orientar paciente e familiar na singularidade de cada um.

Consciente de suas potencialidades o paciente pode disponibilizar seus recursos internos, melhorar sua capacidade de enfrentamento e assim, lidar melhor com as mudanças de hábitos e comportamentos impostos pela cirurgia bariátrica.

A fase pré-operatória não é destinada a longos tratamentos, mas a identificação de dados emocionais que possam sugerir grandes embates no período pós-operatório e a compensação desse quadro observado com as devidas orientações sobre a necessidade de tratamento e conduta a ser adotada posteriormente, incorrendo este no risco de sofrer grandes dissabores caso as orientações sejam negligenciadas, visto que a obesidade muitas vezes surge como sintoma de problemas emocionais e não como causa deste e que o alcance da cirurgia se limita ao aspecto físico e a melhora dos desconfortos advindos da obesidade, não se estendendo á cura dos aspectos emocionais dos quais ela pode ter resultado.

Assim o fator emocional define a fluência positiva ou negativa do paciente no pós-operatório, posto que este, quando comprometido emocionalmente, elege a comida como droga de alívio e/ou elemento de desvio de suas dificuldades subjetivas e o estômago, com sua capacidade de acolhimento, como depósito de tudo que foi engolido pelas compulsões. Assumindo essa simbologia, o estômago, como órgão de choque dos eventos emocionais, ao ser tocado pela cirurgia, pode mobilizar conteúdos internos que necessitem ser compreendidos e elaborados para evitar que a razão seja tomada pelo impulso e as orientações gerais passadas pelos profissionais negligenciadas.

O “corte” operatório muitas vezes exige elaboração que impeça o manifestar de novas dificuldades como uma substituição indesejada de sintomas: se voltar para o álcool, anorexia, bulimia, vômitos…e a frustração da expectativa de reconstrução almejada com a cirurgia, impedindo ainda que se atribua à cirurgia o surgimento do novo quadro manifesto.

Em casos especiais, paciente e familiares serão orientados sobre a necessidade de estender o número de sessões e/ou ainda de encaminhá-lo a outro especialista para suporte associado, com o intuito de compensar um quadro identificado como incompatível com o momento da cirurgia, uma vez que esse momento requer boa capacidade de enfrentamento, sendo o paciente encaminhado à cirurgia em momento considerado oportuno posteriormente, primando sempre pela segurança e qualidade de vida desse paciente.

Dessa forma, a figura do psicólogo não deve ser vista como figura de ameaça à realização de seus sonhos, mas como o mediador das dificuldades vivenciadas entre o real e o imaginado, entre sonho e realidade, uma vez que a cirurgia não opera sobre os “pesos” que estão além do peso decorrente da obesidade como foi observado.

Assim, entendemos que o processo de cura exige que o indivíduo trabalhe criativamente o corpo negligenciado e entenda que o sucesso reside na compreensão do que está fazendo e na necessidade de observar e assumir o si mesmo, o porvir.

Dra. Maria da Guia Ramos
Psicóloga
CRP-GO 09/2455

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